quarta-feira, 28 de maio de 2008

"Everything" Vertical Horizon

Sinto-me como um grito que sai de mim em direcção ao céu
Um grito mudo, calado e barulhento
Saindo debaixo desta pele marcada pelo sol, onde vivem erros escondidos, gritando
Queria dizer tanta coisa a tanta gente que me fez mal
Dizer que não sou capaz de oprimir mais e digo “odeio-te” de boca cerrada
Porque não posso dizer o que penso nem o que sinto
Calada oprimo o quanto te queria ofender, a ti e a toda a gente por quem ganho uma raiva desmedida por tudo o que se passou
Porque me marcou cada gesto, cada promessa quebrada, cada abraço por dar, cada palavra perdida
Cada engano
Numa ilha secreta longe do real eu me refugiei tentando fugir de mim mesma
Vejo imagens sem fim na minha cabeça todas me dizendo o ódio que tenho, a magoa que fere e não deixa que estas se desvaneçam
Porque é tão frio?
Tão difícil pensar no meio de tanto gelo, onde sinto os meus pés quentes e distantes sem quererem andar e os olhos a não fechar só para não acordar
Odeio ter tido a certeza e não ter feito nada
Odeio ter tentado e esforçado ate a corda partir e eu cair no chão enlameado perdida e sozinha
Porque não posso mostrar o quanto por ti tenho pena e raiva escondida, porque assim eu é que seria a má
Não consigo pensar racionalmente quando as feridas me cegam e tu reprimes o meu espaço para teu bom proveito
Poemas que já não fazem sentido e casas de pedra já em cacos assombram o meu imaginário, no meio de cartas e bilhetes, sorrisos e muitas lágrimas
Quero partir-te ao meio e esquecer que existes
Porque agora tenho vida, mas não a impinjo a ti então pára, e dá-me espaço
Vai para o canto onde pertences e leva-a contigo, mas não venham para minha frente dizer estou aqui com ela, ela e eu
Porque de vos só sinto nojo afasta de mim essa visão
Poupa-me do teu perfume e do teu olhar de vitória
Dá-me o meu espaço e a minha liberdade

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